Este artigo é parte de uma série que explora a relação intrínseca entre a educação superior e o sucesso em várias áreas. Já foi evidenciada anteriormente a notável correlação entre graduação e líderes de pequenos e médios negócios, as principais startups do país, CEOs de empresas de capital aberto e os benefícios substanciais em termos de ganhos salariais, segurança de emprego e subemprego na economia gig.
As relações impressionantes de aumento de produtividade devido à educação continuada são surpreendentes, impactando até mesmo a produtividade de motoristas de caminhão com ensino superior em comparação com aqueles sem nível universitário. E, naturalmente, essa tendência se aplica também aos criadores de conteúdo.
É fundamental observar esse segmento da economia. Conforme uma pesquisa da Nielsen publicada em 2022, há 500 mil influenciadores no Brasil, superando o número de engenheiros civis (455 mil) e dentistas (374 mil), e aproximando-se do total de médicos no país (560 mil). Contudo, esse contingente provavelmente é maior, considerando também os influenciadores de menor destaque. Para essa pesquisa, a Nielsen considerou pessoas com pelo menos 10 mil seguidores nas redes sociais. Você consegue ler a pesquisa abaixo:
Dentro desse vasto conhecimento, o repertório é dividido (no Brasil pela CAPES) em 8 grandes áreas, 76 áreas e 340 subáreas do conhecimento. Essas oito grandes áreas são: Ciências Exatas e da Terra; Ciências Biológicas; Ciências da Saúde; Ciências Agrárias; Ciências Humanas; Ciências Sociais Aplicadas; Engenharias; e Linguística, Letras e Artes.
Partindo do pressuposto de que não há cursos superiores para comportamentos bizarros (considerando a profusão de conteúdo absurdo nas redes sociais), nenhum curso superior poderá preparar alguém para banhos em banheiras de Nutella, ingestão de insetos, ou outras práticas igualmente questionáveis. Porém, ao analisarmos o restante do conteúdo com criticidade, surge um vínculo evidente com o ensino superior.
No Brasil, um estudo recente do portal Criadores iD com apoio do Google demonstrou que a formação dos profissionais atuantes como criadores de conteúdo é notavelmente diversificada. Entretanto, é possível observar uma concentração nas áreas de Comunicação, particularmente em Publicidade e Propaganda, além de Arte e Cultura. A área de Comunicação representa 32% (com Publicidade e Propaganda correspondendo a 17%), enquanto cursos de Arte e Cultura representam 23%. Administração surge em terceiro lugar, com 18%. Isso totaliza 73% dos criadores com ensino superior.
Entre as instituições privadas, a Estácio de Sá lidera com 4,7%, enquanto entre as públicas, a USP ocupa o posto com 3,1%. Surpreendentemente, dois em cada três criadores falam outro idioma além do português, sendo que 67% dos entrevistados se encaixam nesse perfil. Desses, 63% falam inglês, 22% espanhol, 4% francês e 2% japonês. Esse percentual é consideravelmente maior em comparação com a população em idade de trabalho no Brasil, de acordo com pesquisa do IPEA de 2022.
Enquanto 31,1% não tinham completado o ensino fundamental, 51,9% concluíram pelo menos o ensino médio e 16,0% obtiveram educação superior. Esse último percentual aumenta um pouco mais para 22,2% quando tratamos apenas da população ocupada no Brasil.
Os números são notáveis: 73% dos criadores de conteúdo possuem ensino superior, comparados aos 22% da população ocupada no Brasil. Porém, como se dá a conexão entre a criação de conteúdo e o ensino superior?
Há diversas maneiras de categorizar e organizar os criadores de conteúdo. A Squid, por exemplo, divide esses profissionais em oito categorias, baseando-se na abordagem à audiência e ao tom do conteúdo:
Professor
Informante
Questionador
Especialista
Novato
Observador
Vendedor
Persuasivo
O Google, por sua vez, categoriza esses criadores por tema. São 10 categorias, e eu ousei estabelecer uma ligação entre elas e os cursos superiores, com o intuito de sensibilizar coordenadores de cursos variados como Geografia, Cinema, Letras e Contabilidade. Cada uma das categorias do Google encontra um correspondente entre os cursos superiores que ofertamos. Entretanto, estamos negligenciando completamente o ensino de Criação de Conteúdo, Capital Social e Redes em cursos como Direito e Nutrição.
Estilo de Vida: Os criadores de estilo de vida compartilham suas vivências pessoais, incluindo viagens, culinária, moda, beleza e muito mais.
Comunicação Social: Cursos de comunicação ensinam a redigir, editar e produzir conteúdo de maneira eficaz, beneficiando os criadores de estilo de vida que desejam compartilhar suas ideias de modo claro e envolvente.
Design: Cursos de design habilitam a criação de layouts, imagens e vídeos visualmente atrativos, úteis para melhorar a aparência e o estilo do conteúdo de estilo de vida.
2. Educação: Criadores de educação compartilham informações sobre diversos tópicos, como negócios, tecnologia, saúde, entre outros.
Pedagogia: Cursos de educação ensinam teoria e prática da educação, sendo relevantes para criadores de conteúdo educacional que desejam criar material eficaz e cativante.
Matemática: Cursos de matemática ensinam princípios matemáticos, aplicáveis a criadores de conteúdo educacional que abordam assuntos matemáticos.
Inglês: Cursos de inglês ensinam gramática, ortografia e redação em inglês, valendo para criadores de conteúdo educacional que buscam clareza e concisão.
História: Cursos de história instruem sobre eventos históricos, beneficiando criadores de conteúdo educacional que querem abordar tópicos históricos.
Geografia: Cursos de geografia abrangem o mundo físico e humano, úteis para criadores de conteúdo educacional em temas geográficos.
3. Entretenimento: Criadores de entretenimento compartilham conteúdo para divertir e entreter o público, incluindo vídeos de comédia, música, jogos e mais.
Cinema, TV e Mídia Digital: Esses cursos preparam para a produção de vídeos e conteúdo audiovisual, fundamentais para criadores de conteúdo de vídeo.
Artes Cênicas ou Teatro: Cursos de teatro ou artes cênicas são valiosos para criadores de entretenimento performático, ensinando atuação, expressão corporal e vocal.
Música: Para criadores de conteúdo musical, cursos de música são úteis para compartilhar músicas originais, covers ou análises musicais, além de conhecimentos em mixagem e produção musical.
4. Notícias e Política: Criadores de notícias e política compartilham informações sobre eventos atuais.
Jornalismo: Cursos de jornalismo ensinam pesquisa, escrita e edição de notícias, beneficiando criadores de conteúdo de notícias e política.
Ciência Política: Cursos de ciência política ensinam sobre o sistema político, processos e atores políticos, essenciais para criadores de conteúdo político.
Relações Internacionais: Cursos de relações internacionais instruem sobre o sistema internacional e relações entre países, importantes para contextualizar notícias internacionais.
5. Negócios: Criadores de negócios compartilham informações sobre como iniciar e gerenciar empreendimentos.
Administração de Empresas: Cursos de administração ensinam fundamentos de negócios, como finanças, marketing e gestão, úteis para criadores de conteúdo de negócios.
Contabilidade: Cursos de contabilidade ensinam princípios contábeis e análise de dados financeiros, beneficiando criadores de conteúdo de negócios.
Marketing: Cursos de marketing ensinam estratégias de marketing e pesquisa de mercado, essenciais para criadores de conteúdo de negócios.
Direito: Cursos de direito ensinam princípios legais e legislação empresarial, relevantes para criadores de conteúdo de negócios.
Economia: Cursos de economia abordam princípios econômicos e políticas, úteis para criadores de conteúdo de negócios.
6. Tecnologia: Criadores de tecnologia compartilham informações sobre as últimas tendências e produtos tecnológicos.
Engenharia: Cursos de engenharia ensinam princípios matemáticos e científicos, fundamentais para criadores de conteúdo de tecnologia.
Ciência da Computação: Cursos de ciência da computação abrangem fundamentos de computação e programação, importantes para criadores de conteúdo de tecnologia.
7. Saúde: Criadores de saúde compartilham informações sobre bem-estar e saúde.
Educação Física: Cursos de educação física abordam princípios do exercício físico, essenciais para criadores de conteúdo de saúde e bem-estar.
Psicologia: Cursos de psicologia abordam a mente humana, valendo para criadores de conteúdo de saúde e bem-estar.
Medicina: Cursos de medicina ensinam fundamentos e prática médica, relevantes para criadores de conteúdo de saúde.
8. Culinária: Criadores de culinária compartilham receitas e dicas de culinária.
Gastronomia: Cursos de gastronomia ensinam princípios culinários, valendo para criadores de conteúdo de culinária.
Nutrição: Cursos de nutrição ensinam benefícios nutricionais, aplicáveis a criadores de conteúdo de culinária.
Ciências dos Alimentos: Cursos de ciências dos alimentos abordam processamento e segurança alimentar, importantes para criadores de conteúdo de culinária.
9. Moda: Criadores de moda compartilham dicas de estilo.
Design de Moda: Cursos de design de moda são ideais para criadores de conteúdo de moda, com conhecimentos em design de roupas, tendências e técnicas de costura.
Fotografia: Cursos de fotografia ensinam técnicas de composição, iluminação e edição, essenciais para criar conteúdo visualmente atrativo em moda.
10. Beleza: Criadores de beleza compartilham dicas de cuidados com a pele e beleza.
Estética e Cosmetologia: Cursos de estética e cosmetologia são centrais para criadores de conteúdo de beleza, abrangendo cuidados com a pele, tratamentos de spa e técnicas de maquiagem.
Concluindo, fica evidente que a formação superior desempenha um papel significativo no sucesso de criadores de conteúdo. As habilidades adquiridas em cursos superiores relacionados às áreas de atuação desses criadores proporcionam conhecimentos essenciais para criar conteúdo relevante, impactante e de qualidade. A Educação Superior não apenas aprimora as capacidades técnicas, mas também desenvolve habilidades de pesquisa, comunicação, análise e criatividade.
Os números refletem essa tendência. Com 73% dos criadores de conteúdo possuindo ensino superior, frente a 22% da população ocupada no Brasil, a formação educacional mostra-se como um diferencial competitivo na indústria de criação de conteúdo. Em um mundo cada vez mais digital e interconectado, o conhecimento adquirido no Ensino Superior se torna um ativo valioso para criadores de conteúdo que buscam conquistar e cativar suas audiências.