O Ciclo de Vida, na perspectiva de marketing educacional, é a história na integra do curso. Uma passagem que atravessa todas as suas fases. O ciclo de vida começa na concepção e definição de um curso. Perpassa, então, a produção e operação e culmina na inevitável obsolescência de um programa acadêmico pela exaustão de uma demanda local, pela falta de investimento e modernização ou por questões alheias a gestão (como a extinção de uma profissão, por exemplo).
O ciclo de vida de um curso – portanto – visa a olhar além dos muros da instituição de ensino, não se restringindo as competências da faculdade avaliada. Objetivamente a questão seria (com um exemplo atual): quanto valeria a pena investir (em pesquisas, marketing e em esforços da gestão) em um Curso de Datilografia?
Através da análise do ciclo de vida pode-se encontrar fundamentos para esta resposta.
O modelo de ciclo de vida em marketing é uma disciplina bastante conhecida e permite posicionar um programa em um de diversos estágios de maturidade. Os produtos acadêmicos na sociedade do conhecimento têm ciclos de vida cada vez mais curtos e muitos cursos em indústrias maduras são revitalizados através da diferenciação e da segmentação do mercado. Mas a máxima é que tudo – seja um produto, seja um curso superior – tem um começo e um fim.
O primeiro curso superior brasileiro cadastrado no MEC e que ainda funcionava em 2009 era o curso de direito da Universidade Federal do Rio Grande do Sul criado em 1/3/1900. O mais antigo curso do Brasil, ainda em operação naquele ano, portanto. De todos os cursos criados naquela primeira década do século passado, apenas 13 ainda funcionavam em 2009.
Atualidade
Em 2009 existiam em funcionamento no Brasil 64.023 cursos superiores em todas as modalidades desse nível de ensino. Desse total, 86% (54778) haviam sido criados nos anos 2000, 7% (4233) nos anos 90, 2% (1085) nos anos 80 e os demais antes de 1979.
Havíamos criado mais cursos nos 24 meses entre 2008 e 2009, que a soma de todos os cursos (ainda em funcionamento) criados até 1999.
Apenas nos 48 meses, entre 2006 e 2009 haviam sido desenvolvidos e aprovados 33.985 cursos no país (53% do total).


– Dos 3995 cursos criados em 2009, 1829 (46%) não lançaram vagas em processos seletivos. Os 2167 restantes tiveram uma relação candidatos vaga média, de 3,27.
– Dos 6566 cursos, criados em 2008, ainda em funcionamento em 2009, 4549 (69%) não lançaram vagas naquele processo seletivo. Os 2017 demais tiveram uma relação candidatos vaga próxima a 1,96.
– Dos 9273 cursos, criados em 2007, ainda em funcionamento em 2009, 7127 (77%) não lançaram vagas naquele processo seletivo. Os 2148 demais tiveram uma relação candidatos vaga próxima a 2,12.
– Dos 14151 cursos, criados em 2006, ainda em funcionamento em 2009, 11888 (84%) não lançaram vagas naquele processo seletivo. Os 2263 demais tiveram uma relação candidatos vaga próxima a 2,63.
– Dos 9828 cursos, criados em 2005, ainda em funcionamento em 2009, 8061 (82%) não lançaram vagas naquele processo seletivo. Os 1767 demais tiveram uma relação candidatos vaga próxima a 1,81.
– Dos 3373 cursos, criados em 2004, ainda em funcionamento em 2009, 1805 (54%) não lançaram vagas naquele processo seletivo. Os 1591 demais tiveram uma relação candidatos vaga próxima a 2,1.
– Dos 2483 cursos, criados em 2003, ainda em funcionamento em 2009, 1072 (43%) não lançaram vagas naquele processo seletivo. Os 1072 demais tiveram uma relação candidatos vaga próxima a 2,1.
– Dos 1874 cursos, criados em 2002, ainda em funcionamento em 2009, 367 (19%) não lançaram vagas naquele processo seletivo. Os 1507 demais tiveram uma relação candidatos vaga próxima a 2,2.
– Dos 1710 cursos, criados em 2001, ainda em funcionamento em 2009, 317 (19%) não lançaram vagas naquele processo seletivo. Os 1393 demais tiveram uma relação candidatos vaga próxima a 1,9.
Graficamente, como apresentado abaixo, fica claro que a procura por Cursos Superiores é muito elevada – em nosso país – em anos de lançamento. Ainda, nesses anos os gestores realizam processos seletivos e vão descontinuando os programas a medida em que a procura cai.

Fonte: INE

À medida que a demanda se retrai, os gestores tendem a tirá-los do mercado, tornando o Ciclo de Vida de Cursos Superiores no Brasil bastante curto.
A procura cai – na média 40% do primeiro para o segundo processo seletivo.
Depois de alguns anos, no entanto, os cursos tornam-se projetos mais robustos, testados pelo mercado.
Apenas 17% dos cursos lançados em 1999, não abriram vagas em 2009.
Dos 315 cursos, criados em 1990, ainda em funcionamento em 2009, 43 (14%) não lançaram vagas naquele processo seletivo. Os 272 demais tiveram uma relação candidatos vaga próxima a 3,2.
Dos 1929 cursos, criados durante toda a década de 1970, ainda em funcionamento em 2009, 327 (17%) não lançaram vagas naquele processo seletivo. Os 1597 demais tiveram uma relação candidatos vaga próxima a 4,18.
Acima daquela relação alcançada em anos de lançamento.
O ciclo de vida, então, pode ser longo caso o curso atravesse a insegurança inicial do mercado.